[ Calha Norte ]

Saiba mais sobre a Calha Norte

O Território da Calha Norte, assim como o Xingu, é considerado um dos maiores corredores de áreas protegidas de florestal tropical do mundo. Formado por diversas Terras Indígenas, Territórios Quilombolas e Unidades de Conservação, o território de aproximadamente 24 milhões de ha, possui uma área maior que o tamanho dos Estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo, juntos.

Considerada uma das regiões mais conservadas da Amazônia brasileira, o território é também o lar de populações tradicionais, como quilombolas e extrativistas, além de diversos povos indígenas, com cultura e línguas diferenciadas, alguns deles ainda isolados.

Além desta enorme sociobiodiversidade, a existência de diversos produtos agroextrativistas manejados e extraídos há gerações pelas populações locais, bem como as articulações existentes em torno do fortalecimento desta produção, levaram o território da Calha Norte a ser reconhecido como um Território de Diversidade Socioambiental pelo Origens Brasil®.

Localização da Calha Norte

Diversidade sociocultural

O Território da Calha Norte se destaca pela sua rica diversidade sociocultural. Hoje o território contém diferentes grupos sociais e étnicos, entre eles, indígenas (alguns ainda isolados), quilombolas, ribeirinhos, extrativistas, assentados, entre outros. Essas populações vivem há gerações dos recursos da floresta e das áreas protegidas, desempenhando atividades fundamentais para a conservação do território e para a geração de serviços ambientais para todo o planeta.

Pressões e Ameaças: o caso dos territórios quilombolas em Oriximiná

Os territórios quilombolas na Calha Norte começaram a se formar no século 19 com a fuga dos escravos das fazendas. Esses escravos encontraram refúgio na floresta, onde começaram a refazer suas vidas, conhecer e dominar o uso dos recursos da floresta e deram origem às 34 comunidades atuais remanescentes de quilombos.

Dentre as áreas protegidas da Calha Norte, os territórios quilombolas encontram-se entre as mais suscetíveis a pressões e ameaças, uma vez que não existem políticas públicas específicas para apoiar as comunidades na proteção e na gestão de suas terras.

Além das questões fundiárias, que gera uma maior instabilidade e dificulta a proteção dos territórios quilombolas, a região sofre algumas pressões de atividades com potencial predatório, tais como, exploração de madeira, desmatamento, mineração e construções de hidroelétricas.

Apesar dessas pressões existentes no território, a região ainda é uma das mais conservadas da Amazônia, graças ao seu difícil acesso, a criação do corredor de áreas protegidas e a existência das populações tradicionais e povos indígenas que habitam estas áreas.

Conheça as áreas protegidas e os povos que vivem no Território da Calha Norte!

# Categoria Nome da área protegida Etnia ou Grupo Social Área (ha) População
1 Terra Indígena Trombetas/Mapuera
  • Akuriyó
  • Aramayana
  • Arara
  • Caruma
  • Farukwoto
  • Hixkaryana
  • Inkarïyana
  • Kahyana
  • Kamarayana
  • Karapawyana
  • Karará
  • Karaxana
  • Katuwena
  • Katxuyana
  • Manipoyana
  • Mawayana (Arawak)
  • Okoymoyana
  • Pïreuyana
  • Pïropë
  • Ramayana
  • Sakïta
  • Tiriyó
  • Tunayana
  • Txarumã
  • Txikiyana
  • Waiwai
  • Xerew
  • Xowyana
3.970.898 523
2 Terra Indígena Nhamundá/Mapuera 1.049.520 1961
- Terra Indígena Kaxuyana/Tunayana* 0 575
3 Terra Indígena Zo’é Zo’é 668.565 280
4 Terra Indígena Rio Paru d’Este
  • Ahpama
  • Ahpamano
  • Aipïpa
  • Akïyó
  • Akuriyó
  • Alakapai
  • Aparai
  • Arahasana
  • Aramaso
  • Aturai
  • Inkarïnyana
  • Kahyana
  • Kaiku Apërën
  • Arimisana
  • Kukuyana
  • Maraso
  • Mawayana
  • Murumuruyó
  • Okomoyana Aramayana
  • Opakyana
  • Osenepohnomo Wezamohkoto
  • Patakaiyana
  • Piayanakoto
  • Pïrëuyana
  • Pirixiyana
  • Pïropï
  • Sakëta
  • Tarëpisana
  • Tunapeky
  • Tunayana
  • Txikïyana
  • Upuruiyana
  • Wajãpi (do Cuc) Tupi Pirixiyana
  • Wajãpi (do Molokopote) Tupi
  • Waripi
  • Wayana
  • Werehpai
1.195.790 240
5 Terra Indígena Tumucumaque 3.071.070 1700
6 Unidade de Conservação (Uso Sustentável) FES Faro Extrativista 613.868 387
7 Unidade de Conservação (Uso Sustentável) FLONA Saracá – Taquera Extrativista 429.600 2485
8 Unidade de Conservação (Uso Sustentável) FLONA de Mulata Extrativista 216.601,41 0
9 Unidade de Conservação (Uso Sustentável) FES Trombetas Extrativista 3.172.978 1038
10 Unidade de Conservação (Uso Sustentável) FES Paru Extrativista 3.612.914 642
11 Unidade de Conservação (Uso Sustentável) RDS do Rio Iratapuru Extrativista 848.817 500
12 Unidade de Conservação (Proteção Integral) ESEC do Jari - 231.078,99 0
13 Unidade de Conservação (Proteção Integral) REBIO Maicuru - 1.151.761 0
14 Unidade de Conservação (Proteção Integral) REBIO do Rio Trombetas - 407.754,23 292**
15 Unidade de Conservação (Proteção Integral) ESEC Grão Pará - 4.245.819 0
16 Território Quilombola Erepecuru Quilombolas 218.044 770
17 Território Quilombola Alto Trombetas/Mãe Domingas Quilombolas 79.096 910
18 Território Quilombola Trombetas Quilombolas 80.887 690
19 Território Quilombola Água Fria Quilombolas 557,13 75
20 Território Quilombola Boa Vista Quilombolas 1.125,03 560
25.266.744 13.336

* Terra indígena em processo de reconhecimento.
** Comunidades tradicionais quilombolas com ocupação anterior à criação da Unidade de Conservação.

Curiosidades da Calha Norte

A maior unidade de conservação de florestal tropical do mundo está na Calha Norte, que é Estação Grão-Pará (4,2 milhões hectares) e a maior Unidade de Conservação de Uso Sustentável Floresta Estadual do Paru (3,6 milhões de hectares).

Diversidade sociocultural ainda por ser conhecida

Há oficialmente registrado cinco referências de povos isolados e apesar dos registros oficiais indicarem a existência de 9 grupos étnicos no território, estudos recentes* identificaram a ocorrência de 56 diferentes povos ou yannas (sem contabilizar a o povo Zo’é) e 11 línguas!

Foi realizado um estudo pelo IEPÉ (Instituto de Pesquisa e Formação Indígena) em parceria com a FUNAI (Fundação Nacional do Índio) para identificar os diversos povos. O estudo resgatou um levantamento etno-linguístico publicado em 1958, onde foram registradas 144 tribos indígenas vivendo em mais de 100 aldeias na Calha Norte. Novos levantamentos foram feitos com os sobreviventes das 144 tribos, onde foram identificadas diversas etnias que até hoje são muito pouco conhecidas: Ahpama, Ahpamano, Aipïpa, Akïyó, Akuriyó, Alakapai, Aparai, Arahasana, Aramaso, Aramayana, Arara, Aturai, Caruma, Farukwoto, Hixkaryana, Inkarïnyana, Kahyana, Kaiku Apërën, Arimisana, Kamarayana, Karapawyana, Karará, Karaxana, Katuwena, Katxuyana, Kukuyana, Manipoyana, Maraso, Mawayana, Murumuruyó, Okomoyana, Opakyana, Osenepohnomo, Wezamohkoto, Patakaiyana, Piayanakoto, Pïrëuyana, Pirixiyana, Pïropë, Ramayana, Sakïta, Tarëpisana, Tiriyó, Tunapeky, Tunayana, Txarumã, Txikiyana, Upuruiyana, Waiwai, Wajãpi (do Cuc), Wajãpi (do Molokopote), Waripi, Wayana, Werehpai, Xerew, Xowyana.